Dom Salvador, nome artístico de Salvador da Silva Filho (São Paulo, 12 de setembro de 1938), é um músico, arranjador e compositor brasileiro.
Sua carreira musical teve início aos 12 anos de idade em Rio Claro/SP, como pianista em uma orquestra.
Tornou-se conhecido em 1961, mesmo ano em que mudou-se para o Rio de Janeiro a convite de Dom Um Romão, onde passou a fazer parte do grupo Copa Trio.
Em 1965, gravou o disco Salvador Trio, como integrante de um grupo com o mesmo nome. Logo depois, formou o grupo Rio 65 Trio, com o qual gravou um LP de mesmo nome.
No ano seguinte, o Rio 65 Trio viajou para a Europa, juntamente com outros músicos como Edu Lobo, Sylvia Telles e Rosinha de Valença, entre outros. Depois de apresentar-se em muitos países, o grupo gravou outro LP, na Alemanha. Ainda em 1966, Dom Salvador foi para os Estados Unidos juntamente com outros músicos, e retornou a esse país na companhia de Elza Soares. Desta vez, fez amizade com vários músicos de jazz, como Thelonious Monk, Charles Lloyd e vários outros.
Retornando ao Brasil tornou-se produtor musical e pesquisador, tendo esta última ocupação motivado viagens para vários outros países.
Em 1970, fez parte do grupo Abolição, juntamente com integrantes dos grupos Cry Babies e Impacto 8, criando assim o embrião do que viria a ser o movimento Black Rio.
Atualmente, Dom Salvador vive em Nova York, onde toca piano em um restaurante. Os discos gravados por ele entre os anos 60 e 70 são, hoje, raridades vendidas a preços altos, quando encontradas.
A VOLTA DE DOM SALVADOR
Ele ainda se emociona ao recordar as homenagens que recebeu, em 2003, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em duas concorridas noites do festival Chivas Jazz, o pianista e compositor Dom Salvador interrompeu um afastamento de 30 anos dos palcos brasileiros.
“Foi inesquecível. Como estava ausente do país por tanto tempo, eu não esperava encontrar tanta receptividade”, diz o músico de 68 anos, que se mudou para os Estados Unidos, em 1973, já reconhecido como líder de originais trios de samba-jazz e da banda Abolição, pioneira nas fusões do samba com o soul e o funk.
A carreira de Salvador decolou em São Paulo, no início dos anos 60, em boates como a Baiúca e a Cave. Em 1964, seu piano já brilhava nas jam sessions do Beco das Garrafas, lendário reduto da bossa nova, no Rio. Gravações e shows ao lado de astros da MPB, como Elis Regina, Jorge Ben e Edu Lobo, aumentaram seu prestígio.
Hoje, depois de passar as festas de final de ano em Rio Claro, cidade do interior paulista, onde nasceu, Salvador se prepara para quebrar um hiato ainda maior em sua carreira. No próximo dia 8, no Rio, ele vai começar a gravar seu primeiro disco no Brasil em 35 anos. O último foi o inovador “Som, Sangue e Raça” (1971), seu único álbum com a banda Abolição.
Nessas novas gravações, o pianista pretende resgatar o projeto do Rio 65 Trio, cultuado grupo de samba-jazz que formou com o baterista Édison Machado (morto em 1990) e o baixista Sérgio Barroso, em meados dos anos 60. De vida curta, esse trio só gravou dois LPs, que chegavam a ser vendidos por centenas de dólares até 2003, quando foram finalmente editados em CD.
Na nova versão do trio, que volta a incluir o baixo acústico de Sérgio Barroso, Salvador contará com a participação de Duduka da Fonseca, baterista que também vive nos EUA. “O Duduka é um seguidor do Édison Machado. Só ele poderia substituí-lo”, justifica o pianista e líder, que planeja gravar nesse álbum apenas composições próprias.
Antes do início das gravações, Salvador fará uma apresentação no palco da megastore Modern Sound, no Rio, na próxima sexta-feira. “Deve virar uma jam session, um negócio informal. Vou chamar os amigos”, avisa.
Em Nova York, onde mora, Salvador toca cinco vezes por semana no River Café. “O público é meio conservador, mas eu toco um pouco de tudo lá”, diz, ressaltando que, após 29 anos como pianista dessa casa, tem liberdade total para misturar música brasileira aos tradicionais standards de jazz.
“Tenho sentido que as pessoas estão cad
Outro motivo recente de alegria para Salvador foi saber que o Choro Ensemble, grupo de músicos brasileiros que há anos interpretam nos EUA um repertório centrado no choro, está preparando um álbum só com choros de sua autoria.
“Misturo muita coisa em minhas composições: samba, maxixe, cateretê, baião”, comenta o pianista, que costuma se referir à sua música como “afro-brazilian jazz” (jazz afro-brasileiro). “Lá [nos Estados Unidos] tudo é marketing. E quando você fala em música brasileira para um norte-americano, a primeira coisa em que eles pensam é bossa nova ou samba. Quero que eles entendam que minha música não é só isso”.
Enfrentando racismo
Dom Salvador planeja aproveitar seus dias finais de gravação, no Rio, para reencontrar ex-colegas da banda Abolição, como o guitarrista Zé Carlos e o vocalista Luiz Carlos. A idéia é gravar outro CD, de maneira mais informal.
“Quero fazer uma jogada no estúdio, com pouco ensaio, quase uma jam session”, diz, pensando em utilizar nessa gravação uma instrumentação despojada. “Quero usar caixa de fósforos, talvez nem bateria, só percussão”.
Outro projeto do pianista para este ano é o de articular, nos EUA, uma banda na linha da Abolição, para interpretar compositores brasileiros negros, como Moacir Santos, Ataulfo Alves e Zé Kéti.
“Sempre tive em mente rearticular esse grupo. Agora surgiu a oportunidade, mas não mais com o nome Abolição. Essa onda já passou”, diz Salvador, revelando que o nome e o visual black da banda eram, para a maioria de seus integrantes, apenas um lance de marketing. “Nós só queríamos tocar e curtir. Não tínhamos ligações políticas”, afirma.
Mesmo assim, admite, só o fato de reunir um grupo de músicos negros, na época, já provocava situações incômodas. Como as reações frente aos pés descalços e roupas africanas da banda durante o Festival Internacional da Canção, no Rio, em 1970. “A censura veio nos perguntar se aquilo era algum tipo de protesto”, relembra.
Mais reveladora foi a apresentação da Abolição em uma boate freqüentada pela elite carioca, em 1971. “Fomos convidados a fazer uma temporada na Flag, mas a primeira noite também foi a última. Os garçons nos disseram que as pessoas da platéia reclamaram de que havia muitos negros no palco”.
Ironicamente, seis anos depois, Salvador apresentou-se para outra elite, sem sentir o mesmo preconceito: um concerto para a rainha da Inglaterra, em Londres, como diretor musical do cantor Harry Belafonte.
FONTE: WIKIPÉDIA
(Entrevista originalmente publicada na “Folha de S. Paulo”, em 3 de janeiro de 2007)

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