sábado, 22 de setembro de 2012

CHICO BATERA

 
 
 
Nascido em 1943, em Madureira, Rio de Janeiro, filho de uma pianista, Chico Batera teve seu primeiro contato com a percussão na Escola de Samba Império Serrano. Aos 17 anos tornou-se músico profissional, tocando nos shows de Carlos Machado e no famoso Beco das Garrafas, berço da Bossa Nova. Com o sucesso da música brasileira no Carnegie Hall, em Nova York, Chico foi para os Estados Unidos acompanhando Sérgio Mendes em missão cultural apoiada pelo Itamaraty.
 
Ao fim da temporada, permaneceu no país morando numa comunidade hispânica, o que permitia o convívio com cubanos e porto-riquenhos. A riquíssima troca de informações desse período que lhe rendeu encontros com Tito Puente e Armando Perazza despertou sua paixão por ritimos latinos. Embalado pela confluência singular entre jazz, música brasileira e latina, estudou na Berklee School of Music e teve aulas particulares com Joe Porcaro, além de participar de intercâmbios culturais no Los Angeles City College. Chico Batera se destacou pela riqueza e diversidade rítmicas e tocou com grandes maestros como Michel Legrand, Henry Mancini e Dave Grusin. Acompanhou artistas da importância de Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e The Doors. Na década de 70 gravou com João Gilberto no México. Foi integrante da banda de Cat Stevens até que este abandonasse sua carreira.
 
 
 
De volta ao Brasil, ministrou cursos de percussão na Pró-arte e no Centro Musical Antônio Adolfo. Nas décadas de 70 e 80 foi o percussionista que mais gravou no país. Dentre os artistas que acompanhou estão Elis Regina, Martinho da Vila, GaL Costa, Simone, Djavan, João Bosco e Fagner. Participou também de gravações dos dois últimos álbuns de Ed Mota. Mas a versatilidade do músico não para por aí.Esteve presente em trabalhos instrumentais com Wagner Tiso, Vitor Biglione e Lee Ritenour. Há 28 anos acompanha Chico Buarque, tendo co-produzido o álbum de 1989 que leva o nome do compositor e inclui o grande sucesso Vai Passar. Reunindo toda a sua experiência, realizou o projeto 50 anos de Baile em parceria com a Secretaria de Cultura do Município de São Paulo durante 1999 e 2000. Paralelamente a carreira de músico, mais recentemente, organizou a Oficina de Percussão Brasileira & Rítimica Corporal, ministrando não só os rudimentos da técnica e da teoria musicais, como também a prática de novas e bem sucedidas metodologias, como aquela experimentada pelo Monobloco, grupo de percussão carioca que usa o corpo e seus movimentos como referências básicas para o aprendizado da percussão. Iniciada em 2002, esta Oficina trabalha com crianças e adolescentes (de 8 a 18 anos). Em 2004 criou o Chico Batera Trio, tendo Luiz Alves (baixo acústico) e Kiko Continentino (piano) como integrantes dessa bem sucedida aventura musical. Em 2006 gravou com seu Trio o CD Lume (Biscoito Fino), tendo como convidado seu parceiro e amigo de longa data Chico Buarque, cantando Iracema Voou.
 
 
 
Fez muitos shows, participou de vários festivais pelo Brasil. Na comemoração dos 50 anos da Bossa Nova fez parte do grupo Bossa Nova All Stars com Bebeto Castilho (baixo), Fátima Regina (Voz) e Fernando Costa (piano). Foram 8 semanas na Modern Sound (Rio). Em fevereiro de 2009, convida Wilson das Neves e a bateria Império do Futuro, formada por crianças da comunidade da Escola de Samba Império Serrano para o show Tocou Reunir. No mesmo mes desfila na Marques de Sapucaí na sua Escola de Samba Império Serrano.
 
 
 
FONTE: batera.com.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

EUMIR DEODATO

 
 
 
 
Nascido em 21 de junho de 1942, no Rio de Janeiro, Eumir Deodato começou tocando acordeão aos doze anos. Depois disso, iniciou seus estudos em piano e arranjo e regência de orquestra. Estritamente autodidata, ele mergulhou nos livros teóricos, passando noites incontáveis analisando as partituras para orquestras.

Deodato se tornou um do mais ativos arranjadores e pianistas do Rio, gravando com Milton Nascimento, Marcos Valle, Elis Regina e Antônio Carlos Jobim. Em 1968, Deodato se mudou para New York e começou a trabalhar com Luiz Bonfá, e também fazendo trabalhos de estúdio para Astrud Gilberto, Walter Wanderley, Antônio Carlos Jobim e Marcos Valle.
 


Depois de escrever arranjos para "Samba de Praia" de Astrud Gilberto, ele foi contratado por Creed Taylor para fazer arranjos dos artistas da CTI, como Wes Montgomery, Stanley Turrentine, George Benson, Paul Desmond e Tom Jobim. Sua reputação nos campos pop e black music ficou fortalecida pelos trabalhos com Frank Sinatra, Roberta Flack e Aretha Franklin.
 


Seu álbum de estréia como líder foi em 1973, ao vivo no Madison Square Garden em New York, que ficou famoso com a gravação de "Also Sprach Zarathustra". Depois de sete anos excursionando pelo mundo (Austrália, Japão, Canadá, América do Sul e a Europa) e de oito excursões costa-a-costa nos EUA, Deodato decidiu concentrar seu trabalho em estúdio.
 


Além dos álbuns solo para os selos CTI, MCA, Warner e Atlantic, o seu trabalho dele como produtor/arranjador ganhou vários prêmios. Em destaque estão suas produções para Michael Franks, Chuck Mangione, Kevin Rowland (Dexy's Midnight Runners) e Kool & The Gang's.
 


Nos anos 90, Deodato continuou sendo uma força vital trabalhando com a cantora islandesa Björk, fazendo arranjos para três álbuns para ela: Post(1995), Telegram(1996) e Homogenic(1997). Ele arranjou e produziu em 1996 um álbum para Gal Costa (1996) e fez arranjos para Titãs e Carlinhos Brown.
 


Em 1999, ele fez a trilha de "Bossa Nova" de Bruno Barreto e o ano seguinte produziu o disco do filme para a Verve. depois realizou trabalhos para a cantora nipo-brasileira Lisa Ono e para a cantora de jazz Ann Hampton Callaway. Em novembro de 2001, Deodato participou em um concerto em benefício de New York onde tocou sua famosa música (Also Sprach Zarathustra: 2001).
 
 


A reação foi fantástica, o que o encorajou a voltar a fazer concertos. Ele realizou apresentações selecionadas, a começar pela Vienna Opera House, como parte do Vienna Summer Jazz Festival. Em 2004, Deodato realizou arranjos de orquestra para KD Lang e está se preparando, não só para excursionar como para gravar um próximo álbum.
 
FONTE: Clube do Jazz/Youtube

 

sábado, 8 de setembro de 2012

SÉRGIO MENDES

 
 
 
 
Filho de médico, nascido a onze de fevereiro de 1941 em Niteroi, Sérgio Mendes começou a estudar música no conservatório ainda criança, com a intenção de se tornar pianista clássico. Mendes já estava morando no Rio de Janeiro quando surgiu a moda da bossa nova no final dos anos cinqüenta e com a idade de quinze anos, abandonou a música clássica pela sua nova paixão.

Mendes começou a absorver o fermento musical que era gerado pelas músicas de Antônio Carlos Jobim e João Gilberto. Isso foi acrescido pelos shows que assistiu de Stan Getz, Dizzy Gillespie, Charlie Byrd, Paul Winter, Roy Eldridge e Herbie Mann. Mendes formou seu grupo, o "Sexteto Bossa Rio", que obteve muita repercussão crítica, o que resultou na sua primeira gravação, "Dança Moderna", em 1961 através da gravadora Philips.
 


Mendes em 1962, depois de participar do show no Carnegie Hall ele tocou no Birdland com Cannonball Adderley, um show que só foi lançado pela Capitol anos depois. Seus álbuns iniciais como "Bossa Nova York" e "Girl From Ipanema", foram extremamente influenciados por Tom Jobim. Em 1964 ele mudou para os Estados Unidos, inicialmente para tocar nos álbuns de Jobim e Art Farmer; no ano seguinte ele criou o "Brasil 65".

O grupo gravou para a Capitol sem alcançar muita repercussão. Mas em 1966, Mendes e sua banda—rebatizada de "Brasil 66", assinou com a A&M e a partir daí começou haver sintonia entre a banda e a sua platéia.
O grupo, na sua primeira formação na A&M tinha Sérgio Mendes nos teclados, Bob Matthews no baixo, João Palma na bateria, José Soares como percussionista, Lani Hall e Janis Hansen nos vocais. O estilo da banda tinha uma mistura de um jazz bem light com uma batida de bossa nova, e no cardápio melodias pop contemporâneas.
 


O álbum fez um enorme sucesso, com seis músicas nas paradas, chefiadas por "Mas Que Nada". O segundo álbum, "Equinox", teve como sucesso "Chove Chuva", mas o terceiro, "Look Around", foi o campeão de vendas, com "Fool on the Hill", dos Beatles e "Scarborough Fair", de Simon & Garfunkel. O quarto álbum, "Crystal Illusions",de 1969, foi liderada pela versão de "The Dock of the Bay" de Otis Redding.

Durante este período, Mendes fez também várias gravações para a Atlantic, dirigidas para uma audiência de jazz light, tendo nelas participações de Jobim, Art Farmer, Phil Woods, Hubert Laws e Claire Fisher. Mendes caminhou até o final de 60 com sucesso internacional e financeiro.

Em 1973 o grupo mudou para um selo menor, o Bell Records e depois foi para a Elektra onde gravou seu primeiro álbum solo oficial, "Sérgio Mendes". Ele re-lançou pela gravadora, dois anos depois, o " Sérgio Mendes & Brasil 77", de pouco apelo pelo público; depois de cinco anos e com faro comercial, Mendes voltou para a A&M em 1982.

No ano seguinte, o álbum de retorno, "Sérgio Mendes", alcançou seu primeiro Top 40, emplacando o hit "Never Gonna Let You Go". Ele continua sendo uma figura popular internacionalmente, até mesmo quando as vendas caíram nos EUA, por outro lado seu trabalho dos anos sessenta foi reeditado em no Japão.
 


Durante os anos noventa, Mendes formou com um grupo novo, Brasil 99, e mais recentemente, Brasil 2000, e tem integrado os sons de hip-hop e da Bahia em sua música.
 
 
 
FONTE: CLUBE DE JAZZ/YOUTUBE

terça-feira, 4 de setembro de 2012

LENY ANDRADE

 
 
 
 
 
 
Leny Andrade de Lima, conhecida pelo nome artístico de LENY ANDRADE considerada por muitos a maior cantora de samba jazz brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1943, e é uma cantora de música brasileira.

Aos seis anos de idade, Leny Andrade começou a tocar piano. Aos nove, entrou para o Conservatório Brasileiro de Música e aos quinze já se apresentava como "crooner" de orquestras. Ainda menina, cantou com o trio de Sergio Mendes na época do Beco das Garrafas.

Nascida no Rio de Janeiro, aos 15 anos estreou profissionalmente, sendo a única crooner a cantar na orquestra de Dick Farney. Gravou seu primeiro LP em 1961 chamado "A Sensação". No ano seguinte, lançou o LP "A Arte Maior de Leny Andrade".

Na década de 60, com Pery Ribeiro e o grupo Bossa Três, com quem gravou o primeiro disco ao vivo, estreou na boate Porão 73 o antológico show "Gemini 5" de Ronaldo Bôscoli e Miele, show este que provocou sua mudança para o México onde morou 5 anos. Em 1965 estourou nas pardas com o disco "Estamos aí" com destaque para a faixa título de Mauricio Einhorn, Durval Ferreira e Regina Werneck. Enveredou pelo samba de vanguarda nos anos 70, com o disco "Alvoroço" e fechou a década com o disco "Registro" uma obra marcante de samba-jazz.

Cantando ao lado de artistas como Luiz Eça, Wagner Tiso, Eumir Deodato, Francis Hime, Gilson Peranzzetta e João Donato, Leny Andrade tornou-se conhecida por sua notável capacidade de improvisação.

Nas décadas de 80 e 90 dividiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos. Em 1984 gravou dois importantes discos na sua carreira " Leny Andrade ao Vivo" com capa do artista plástico Juarez Machado, pela Gravadora Pointer.
 
 
Prestigiada, o CD "Luz Neon", foi aclamado pela crítica e pelo público, onde destacou-se a interpretação da música A Night in Tunisia de Toots Thielemans e Saigon de Claudio Cartier / Paulo Cesar Feital e Carlão. Este CD abriu as portas para a Europa, sendo lançado pela gravadora holandesa Timeless Records na Europa e Japão. Essa gravadora ainda lançou ainda o CD "Embraceable You" que foi posteriormente relançado no Brasil pela gravadora Som Livre, apenas com standards norte-americanos, em ritmo de bossa nova.

De 1990 em diante tem participado de inúmeros Festivais de Jazz na Europa, Japão e Estados Unidos, cantando também em prestigiados templos de Jazz, como Blue Note em Nova York e Japão, Birdland e Lincon Center em Nova York, "New Morning em Paris, Ronnie Scott's Club em Londres, Subway em Colonia na Alemanha, entre outras.

Lançou também CDs em parceria com instrumentistas de prestígio, como César Camargo Mariano chamado "Nós", Cristóvão Bastos para a série Letra e Música do produtor Almir Chediak, "Antonio Carlos Jobim" e com o violonista radicado nos Estados Unidos Romero Lubambo gravou "Coisa Fina" e Luar do Arpoador".

Em 2007 dividiu um Grammy Latino com César Camargo Mariano para Melhor Álbum MPB ao Vivo. Leny Andrade tem 29 discos gravados e 2 DVDs, sendo o mais recente o CD "Alma Mia" (2010) só de boleros com arranjos de Fernando Merlino.
 
 



Leny Andrade é a preferida dos músicos e se apresentou com Paquito D'Rivera, Toots Thielemans, Fred Hersch, Roberto Menescal, Cesar Camargo Mariano, Léo Gandelman, Trio Corrente, Sambop Quinteto, Mauricio Einhorn, Romero Lubambo, João Carlos Coutinho, e vários outros músicos de renome. O estilo eclético de Leny Andrade é uma síntese do samba, do jazz, da MPB, de boleros, canções,baladas, enfim, da boa música.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

 
 
 
 
 
 
Tendo como proposta inicial, reverenciar os mestres desse gênero musical, tão harmonioso, quanto empolgante, levando em consideração as variantes que existem dentro do cenário - samba de coco, roda, véio, exaltação, rock, jazz - são algumas formas de embalar o ritmo através do balanço da batida cadenciada, ora forte, ora malemolente, mas jamais sem perder a identidade que nos emociona seja no tambor, seja na bateria, pelas cordas, pelas teclas ou no simples bater de mãos e no pisar dos pés.

O cantor e compositor pernambucano ALLAN MARLANGO escolheu o samba jazz para homenagear os sambistas brasileiros, de todas as vertentes, e contribuir com a expansão da diversidade sonora existente no samba. Com piano, contrabaixo acústico e bateria todas as cadências são devidamente colocadas em práticas, mostrando assim que um bom samba independe da escolha de instrumentos a que esteja sujeito. Nomes como Dorival Caymmi, Noel Rosa, Cartola, Paulinho da Viola, D. Ivone Lara, Chiquinha Gonzaga, Arlindo Cruz, Jorge Benjor, Coco Raízes de Arcoverde, Karynna Spinelli, Moacir Santos, Jonnhy Alf entre outros são exaltados em suas obras a partir do arranjo proposto para a transposição de sons.

Além de projeto artístico, o SAMBA DO MARLANGO, tem cunho social, onde nos dias em que for realizado, serão solicitados alimentos perecíveis a cada espectador no intuito de volvê-los a alguma entidade/comunidade necessitada.

Com EP a ser lançado ainda nesse semestre, contendo cinco músicas inéditas, o projeto SAMBA DO MARLANGO, chega amparado artisticamente de forma promissora, com um trabalho de qualidade, onde além de curtirem o espetáculo em seus dias de apresentação, os presentes também poderão levar para casa ou apreciarem através de link (www.soundcloud.com/allanmarlango) pela internet, o trabalho do cantor e compositor ALLAN MARLANGO. Das cinco músicas, três são de sua autoria, onde foram arranjadas pelo produtor musical Guigo Nascimento, em Recife, sua terra natal.
 

domingo, 26 de agosto de 2012

AGENDA


EDIÇÃO RIO DE JANEIRO
QUINTA, 04/10, 19h
SUBLIME RELICÁRIO DA LAPA
Av. Gomes Freire, 773, Lapa
Inf. e Reservas: 21 22249824
COUVERT ARTÍSTICO: R$ 15,00 + 2Kg de alimento não perecível
Mais informações:
www.sublimerelicario.com.br


EDIÇÃO CABO FRIO
SEXTA, 12/10, 20h
PRAÇA DE SÃO CRISTÓVÃO, SÃO CRISTÓVÃO
Entrada: 2kg de alimento não perecível


BROOKLINFEST
SÁBADO, 21/10
Brooklin/São Paulo
Entrada franca
www.brooklinfest.blogspot.com


EDIÇÃO SÃO PAULO
TERÇA, 13/11, 21h
CAFÉ PAÕN - MUSIC BAR
Av. Pavão, 950, Moema
Inf. e Reservas: 11 5041 6738 / 5533 5100
COUVERT ARTÍSTICO: R$ 40,00
Mais informações:
www.cafepaon.com.br

Em breve, datas para EDIÇÃO RECIFE E SALVADOR.

REALIZAÇÃO: PELE PRETA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

sábado, 25 de agosto de 2012

TURMA DA GAFIEIRA

 
 
 

 
 

A Turma da Gafieira eram os Jazz Messengers brasileiros, os novos músicos mais interessantes fervendo em solos revolucionários, em plena década de 50 pré-bossa nova. Pelo menos cinco anos antes d’O LP d’Os Cobras, d’O Som do Meirelles e os Copa 5, do Você Ainda Não Ouviu Nada do Bossa Rio Sexteto do Sérgio Mendes, que qualquer disco de trio, do próprio Edison Machado é Samba Novo, totalmente vanguarda no conceito e no som, a Turma da Gafieira é samba-jazz antes do estilo ser sonhado.
 
Dois discos lançados pela Musidisc, cheios de acompanhamentos e improvisos musculares de Raul de Souza no trombone, Cipó e Zé Bodega nos saxes, Sivuca na sanfona, Altamiro Carrilho na flauta, Baden Powell no violão. E na cadeira de Art Blakey, acelerando o eixo do samba, Edison Machado, com sua pegada pra frente, bebop, pratos chiando, convenções e viradas nervosas.



 
 
Jazz no Brasil na época? Só muito timidamente, diluído nas orquestras de baile e gafieira, no máximo ebulindo em encontros informais entre os músicos, jam sessions nas horas vagas ou nos bares mais moderninhos. Dali alguns anos, chegando aos músicos mais antenados da jovem classe média-alta carioca no pequeno Beco das Garrafas, mas até então se confundindo com os regionais de choro, Orquestras Tabajaras, pianistas de cocktail, pequenos combos para acompanhar cantores.
 
O texto anônimo entre aspas ali em cima é do 10″ com composições de Altamiro Carrilho. Tanto ele como o LP lançado pela mesma época, com versões de Caymmi, Tito Mati, Wilson Batista e Tom Jobim, não se avexam de ser revolucionários discos de pequena formação gravados ao vivo com músicos criativos livres para improvisar sobre temas interessantes – para todos os efeitos, dois discos de jazz.

FONTE: www.oesquema.com.br
 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

EDIÇÃO SÃO PAULO


13/11/2012
TERÇA
21h



CAFÉ PAÕN - MUSIC BAR
AV. PAVÃO, 950, MOEMA, SÃO PAULO
INF. E RESERVAS: 11 5041 6738 / 5533 5100
COUVERT ARTÍSTICO: R$ 40,00(PESSOA)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MOACIR SANTOS PARTE II








Moacir Santos é considerado pelos críticos e pesquisadores musicais como um dos principais arranjadores e compositores brasileiros, aquele que renovou a linguagem da harmonia no país.

Moacir Santos nasceu em 1923 em São José do Belmonte-Pe e começou cedo sua história musical, quando se se uniu à banda da cidade Flores do Pajeú, em pleno sertão pernambucano, aos 14 anos, tocando saxofone, clarinete e trompete, entre outros instrumentos. Dois anos depois ele saiu pelo nordeste afora até 1943, quando arrumou um emprego na Rádio Clube de Recife.

Em 1945 foi para a Paraíba, onde tocou na banda da Polícia Militar e na jazz band da Rádio Tabajara como clarinetista e tenorista. Em 1948 ele mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na gafieira "Clube Brasil Danças" durante 18 anos como saxofonista, arranjador e maestro.

Outro longo emprego que teve foi na Rádio Nacional, começando como tenorista da Orquestra do Maestro Chiquinho. Como fazia arranjos sem conhecer as regras, Santos se iniciou em teoria musical com Guerra Peixe e depois foi estudar com o grande musicólogo e compositor alemão Hans Joachim Koellreutter, de quem Santos depois se tornou assistente.

Durante essa década ele começou a dar aulas, mas foi nos sessenta que ficou famoso, sendo professor de grandes talentos, como Paulo Moura, Oscar Castro-Neves, Baden Powell, Maurício Einhorn, Sérgio Mendes, João Donato, Roberto Menescal, Dori Caymmi e Airto Moreira, entre outros.

Em 1951, ele foi convidado por Paulo Tapajós, diretor da Rádio Nacional para ser um maestro e arranjador do elenco, onde permaneceu até 1967. Em 1954, Santos foi para São Paulo onde dirigiu a orquestra da TV Record. Dois anos depois, ele voltou ao Rio de Janeiro, retomando seu trabalho na Rádio Nacional e se tornou regente na Copacabana Discos.

Com o prestígio alcançado no Brasil, Santos gravou em 1965 pela Forma, o seu primeiro álbum solo, "Coisas". Santos compôs trilhas sonoras para muitos filmes como "Love in the Pacific", "Seara Vermelha"(Rui Aversa), Ganga Zumba (Cacá Diegues), O Santo Médico (Sacha Gordine), e Os Fuzis (Ruy Guerra), entre outros.

Em 1967, ele deixou a Rádio Nacional e se mudou para os EUA, indo morar em Pasadena, onde ficou dando aulas de música até ser descoberto por Horace Silver. Em 1985, ele abriu junto com Radamés Gnattali, no Rio de Janeiro, o I Free Jazz Festival. Em 1996, ele condecorado pelo Presidente Fernando Henrique com a comenda da Ordem do Rio Branco. No mesmo ano, Santos foi homenageado no Brazilian Summer Festival em Los Angeles.






Seus arranjos originais para várias de suas composições foram transcritas por Mário Adnet e Zé Nogueira no álbum duplo "Ouro Negro"(2001), que teve as participações de Milton Nascimento, João Donato, Gilberto Gil, e do próprio Moacir Santos, entre outros.
Discografia
1965

 Forma/Universal Music
1972

Maestro
 Blue Note
1974

Saudade
 Blue Note
2001

 Independente

MOACIR SANTOS PARTE I








Moacir Santos ficou órfão muito cedo, e não há registro de músicos em sua família. "Quando mamãe morreu,eu tinha uns 3 anos, mais ou menos."
"Lembro de estar no quintal da casa, batendo latas, imitando a banda da cidade. Porque eu tinha uma bandinha: uns cinco meninos, tudo nuzinho, porque lá é muito quente e porque a gente era pobre. [...] O meu instrumento era lata, eu ficava batendo lata de goiabada. Ta-ta-ta-ta, tocando. Eu tenho isso pra mim, que eu já nasci músico, nasci com a música. Eu era também diretorzinho dos meninos da banda, quando a gente era criança."

A região onde nasceu, o sertão de Pernambuco, é também terra de flautas de pífano, que desde cedo as crianças se acostumam a ouvir, construir e tocar. E, por um acaso feliz, havia em Flores do Pajeú, cidadezinha onde foi morar, uma banda marcial.

"Eu era um garoto. Via os intrumentos, ia mexer, mas quando encostava alguém gritava: ‘Mexe aí não, moleque’. Como ia sempre nos ensaios, me chamaram para tomar conta dos instrumentos. Como era eu que vigiava, podia tocar à vontade (risos). Aprendi todos os instrumentos. Um dia pedi para o Mestre Paixão para tocar. Ele deixou, então peguei o trompete e toquei. Quando me viu tocar, ele, que era trompetista, disse: 'Tudo bem, mas você vai tocar é clarineta’.”

Moacir tinha apenas 14 anos quando isso aconteceu, e vivia como andarilho, percorrendo sozinho as cidades do interior pernambucano, tocando em bandas e circos. Aos 16 anos, um episódio marcante:
"Ler de primeira vista, é uma outra coisa; eu sabia música, devagar mas eu sabia. Mas quando eu fui à Bahia pra ler um ensaio com o Joca do Piston, ele falou: ‘Vocês tenham paciência com este rapaz que ele é muito promissor, ele promete muito’, eu aprendi na marra, eu me envolvi de um tal jeito com o negócio e aprendi de vergonha, uma vergonha dos músicos que tocavam."

Em Salvador, surge outro dos elementos formadores do músico Moacir Santos:
"Entramos na Bahia [...] fui terminar em Salvador. Conheci o pessoal assim dos Estados Unidos, o pessoal que ia a Paris. Era na época do Cassino Tabaris ... época da guerra, entre 42, 43, e na época da guerra o Cassino Tabaris tinha muitos músicos de fora que vinham tocar lá [...] Eu nunca cheguei a trabalhar lá, mas aprendi muito com os músicos de lá, com os saxofonistas [...] tinha um que tocava com o saxofone deitado [...] mas eles tinham um som, eles eram monstros para mim naquela época."

No ano de 1949, aos 23 anos, quando já era músico respeitado, e sax-tenorista da jazz band do Maestro Chiquinho, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Moacir tomou a decisão de tornar-se um músico completo. Aproveitando o rico ambiente da rádio e da cena musical do Rio de Janeiro, passou a estudar harmonia, contraponto, fuga e composição com os melhores mestres: Paulo Silva, José Siqueira, Virginia Fiusa, Cláudio Santoro, João Batista Siqueira, Nilton Pádua, Guerra-Peixe e o maestro alemão Hans-Joachim Koellreutter – discípulo de Arnold Schoenberg, um dos criadores do dodecafonismo e, também, um dos mais cultuados professores de harmonia na música erudita – do qual Moacir se tornou assistente por algum tempo.

Sua ânsia de aprender era tanta, que Moacir chegou a estudar com cinco professores na mesma semana, um a cada dia.
"Aprendi a ouvir a música erudita desde que estudava com Paulo Silva.

O elemento que faltava em sua formação veio do contato com o jazz:
"Moacir me falou muitas vezes sobre os arranjos do Gerry Mulligan, e como o jeito de tocar do Mulligan o inspirou a adotar o saxofone barítono” (Mario Adnet)

Completava-se assim o ciclo de formação, durante o qual Moacir incorporou a seu talento inato o ritmo, os sopros, as bandas de metais, o jazz, o clássico e o domínio da teoria, da harmonia e da composição.

FONTE: Músicos do Brasil

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DOM SALVADOR






Dom Salvador, nome artístico de Salvador da Silva Filho (São Paulo, 12 de setembro de 1938), é um músico, arranjador e compositor brasileiro.

Sua carreira musical teve início aos 12 anos de idade em Rio Claro/SP, como pianista em uma orquestra.

Tornou-se conhecido em 1961, mesmo ano em que mudou-se para o Rio de Janeiro a convite de Dom Um Romão, onde passou a fazer parte do grupo Copa Trio.

Em 1965, gravou o disco Salvador Trio, como integrante de um grupo com o mesmo nome. Logo depois, formou o grupo Rio 65 Trio, com o qual gravou um LP de mesmo nome.

No ano seguinte, o Rio 65 Trio viajou para a Europa, juntamente com outros músicos como Edu Lobo, Sylvia Telles e Rosinha de Valença, entre outros. Depois de apresentar-se em muitos países, o grupo gravou outro LP, na Alemanha. Ainda em 1966, Dom Salvador foi para os Estados Unidos juntamente com outros músicos, e retornou a esse país na companhia de Elza Soares. Desta vez, fez amizade com vários músicos de jazz, como Thelonious Monk, Charles Lloyd e vários outros.

Retornando ao Brasil tornou-se produtor musical e pesquisador, tendo esta última ocupação motivado viagens para vários outros países.

Em 1970, fez parte do grupo Abolição, juntamente com integrantes dos grupos Cry Babies e Impacto 8, criando assim o embrião do que viria a ser o movimento Black Rio.

Atualmente, Dom Salvador vive em Nova York, onde toca piano em um restaurante. Os discos gravados por ele entre os anos 60 e 70 são, hoje, raridades vendidas a preços altos, quando encontradas.







A VOLTA DE DOM SALVADOR

Ele ainda se emociona ao recordar as homenagens que recebeu, em 2003, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em duas concorridas noites do festival Chivas Jazz, o pianista e compositor Dom Salvador interrompeu um afastamento de 30 anos dos palcos brasileiros.

“Foi inesquecível. Como estava ausente do país por tanto tempo, eu não esperava encontrar tanta receptividade”, diz o músico de 68 anos, que se mudou para os Estados Unidos, em 1973, já reconhecido como líder de originais trios de samba-jazz e da banda Abolição, pioneira nas fusões do samba com o soul e o funk.

A carreira de Salvador decolou em São Paulo, no início dos anos 60, em boates como a Baiúca e a Cave. Em 1964, seu piano já brilhava nas jam sessions do Beco das Garrafas, lendário reduto da bossa nova, no Rio. Gravações e shows ao lado de astros da MPB, como Elis Regina, Jorge Ben e Edu Lobo, aumentaram seu prestígio.

Hoje, depois de passar as festas de final de ano em Rio Claro, cidade do interior paulista, onde nasceu, Salvador se prepara para quebrar um hiato ainda maior em sua carreira. No próximo dia 8, no Rio, ele vai começar a gravar seu primeiro disco no Brasil em 35 anos. O último foi o inovador “Som, Sangue e Raça” (1971), seu único álbum com a banda Abolição.

Nessas novas gravações, o pianista pretende resgatar o projeto do Rio 65 Trio, cultuado grupo de samba-jazz que formou com o baterista Édison Machado (morto em 1990) e o baixista Sérgio Barroso, em meados dos anos 60. De vida curta, esse trio só gravou dois LPs, que chegavam a ser vendidos por centenas de dólares até 2003, quando foram finalmente editados em CD.

Na nova versão do trio, que volta a incluir o baixo acústico de Sérgio Barroso, Salvador contará com a participação de Duduka da Fonseca, baterista que também vive nos EUA. “O Duduka é um seguidor do Édison Machado. Só ele poderia substituí-lo”, justifica o pianista e líder, que planeja gravar nesse álbum apenas composições próprias.

Antes do início das gravações, Salvador fará uma apresentação no palco da megastore Modern Sound, no Rio, na próxima sexta-feira. “Deve virar uma jam session, um negócio informal. Vou chamar os amigos”, avisa.

Em Nova York, onde mora, Salvador toca cinco vezes por semana no River Café. “O público é meio conservador, mas eu toco um pouco de tudo lá”, diz, ressaltando que, após 29 anos como pianista dessa casa, tem liberdade total para misturar música brasileira aos tradicionais standards de jazz.

“Tenho sentido que as pessoas estão cad


Outro motivo recente de alegria para Salvador foi saber que o Choro Ensemble, grupo de músicos brasileiros que há anos interpretam nos EUA um repertório centrado no choro, está preparando um álbum só com choros de sua autoria.

“Misturo muita coisa em minhas composições: samba, maxixe, cateretê, baião”, comenta o pianista, que costuma se referir à sua música como “afro-brazilian jazz” (jazz afro-brasileiro). “Lá [nos Estados Unidos] tudo é marketing. E quando você fala em música brasileira para um norte-americano, a primeira coisa em que eles pensam é bossa nova ou samba. Quero que eles entendam que minha música não é só isso”.

Enfrentando racismo

Dom Salvador planeja aproveitar seus dias finais de gravação, no Rio, para reencontrar ex-colegas da banda Abolição, como o guitarrista Zé Carlos e o vocalista Luiz Carlos. A idéia é gravar outro CD, de maneira mais informal.

“Quero fazer uma jogada no estúdio, com pouco ensaio, quase uma jam session”, diz, pensando em utilizar nessa gravação uma instrumentação despojada. “Quero usar caixa de fósforos, talvez nem bateria, só percussão”.

Outro projeto do pianista para este ano é o de articular, nos EUA, uma banda na linha da Abolição, para interpretar compositores brasileiros negros, como Moacir Santos, Ataulfo Alves e Zé Kéti.

“Sempre tive em mente rearticular esse grupo. Agora surgiu a oportunidade, mas não mais com o nome Abolição. Essa onda já passou”, diz Salvador, revelando que o nome e o visual black da banda eram, para a maioria de seus integrantes, apenas um lance de marketing. “Nós só queríamos tocar e curtir. Não tínhamos ligações políticas”, afirma.

Mesmo assim, admite, só o fato de reunir um grupo de músicos negros, na época, já provocava situações incômodas. Como as reações frente aos pés descalços e roupas africanas da banda durante o Festival Internacional da Canção, no Rio, em 1970. “A censura veio nos perguntar se aquilo era algum tipo de protesto”, relembra.

Mais reveladora foi a apresentação da Abolição em uma boate freqüentada pela elite carioca, em 1971. “Fomos convidados a fazer uma temporada na Flag, mas a primeira noite também foi a última. Os garçons nos disseram que as pessoas da platéia reclamaram de que havia muitos negros no palco”.

Ironicamente, seis anos depois, Salvador apresentou-se para outra elite, sem sentir o mesmo preconceito: um concerto para a rainha da Inglaterra, em Londres, como diretor musical do cantor Harry Belafonte.

FONTE: WIKIPÉDIA
(Entrevista originalmente publicada na “Folha de S. Paulo”, em 3 de janeiro de 2007)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

AVE, LAURINDO ALMEIDA!




LAURINDO ALMEIDA






Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto (Miracatu, 2 de setembro de 1917Los Angeles, 26 de julho de 1995) foi um violonista brasileiro.[1]

O violonista e compositor Laurindo Almeida nasceu na pequena cidade litorânea "Prainha", hoje Miracatu, no Vale do Ribeira, no Estado de São Paulo. Vinha de uma família grande e com formação musical: seu pai, ferroviário, era um apaixonado seresteiro e sua mãe, de cujos 15 filhos morreram oito, era uma pianista amadora. Iniciou-se com as primeiras noções musicais de sua mãe e aprendendo a tocar o violão com sua irmã Maria. Em 1935, já habilidoso, mudou-se para Santos e, depois, para o Rio. Sozinho e sem dinheiro, chegou a dormir em banco de praça, tendo passado semanas à base de café com leite e pão e manteiga.

Começou sua carreira em 1936 tocando a bordo de um navio de cruzeiro e, no final dos anos 30, foi trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, levado pelo radialista César Ladeira, tendo inclusive formado um duo com o lendário Garoto e atuado ao lado de artistas como Heitor Villa-Lobos, Radamés Gnattali, e Pixinguinha. Em 1947 fez parte da orquestra de Carmen Miranda.

A partir de 1950, estabeleceu-se em Los Angeles e passou ser um requisitado músico de estúdio e se tornando-se conhecido como violonista da orquestra de Stan Kenton, gravando muitos discos.

Talvez como nenhum outro artista, Laurindo contribuiu para a difusão sistemática da bossa nova nos EUA. Comenta-se mesmo que suas gravações de 1953 com o saxofonista Bud Shank antecipam em vários anos, do ponto de vista musical, o aparecimento da bossa nova.

Nos anos 1963-1964, Laurindo participou do Modern Jazz Quartet. Ele ganhou seis Prêmios Grammy, além de uma série de outros prêmios da indústria fonográfica e cinematográfica, e compôs e fez arranjos para 800 produções, incluindo filmes dos grandes estúdios de Hollywood. Ele toca bandolim em O Poderoso Chefão, de 1972, e alaúde em Os Dez Mandamentos, de 1956, tendo sua última participação em filmes em Os Imperdoáveis, dirigido por Clint Eastwood, de 1992. Também fez arranjos para a série Bonanza e Além da Imaginação.

FONTE: Wikipédia

quarta-feira, 15 de agosto de 2012






Beco das Garrafas é o nome atribuído a uma travessa sem saída da rua Duvivier, na cidade brasileira do Rio de Janeiro, que abrigava um conjunto de casas noturnas, situado no bairro carioca de Copacabana, nas décadas de 50 e 60.

A alcunha de Beco das Garrafas se deve à prática dos moradores de jogar garrafa nos boêmios que frequentavam os bares Ma Griffe, Bacará, Little Club e Bottle's, reduto do músicos do movimento musical urbano surgido em 1957, a bossa nova.



Ganhou notoriedade quando citado pelo escritor e jornalista Nelson Motta, no livro Noites Tropicais, onde o autor retrata a evolução da música popular brasileira, musicalidade esta contemporânea dos bares deste beco.

FONTE: Wikipédia.

domingo, 12 de agosto de 2012

HISTÓRIA DO SAMBA JAZZ


Afinal, quando, como e onde começou a mistura do jazz com o samba que resultou na música instrumental brasileira moderna?
A semente que germinou essa fusão foi plantada em abril de 1953 pelo violonista Laurindo Almeida e o saxofonista Bud Shank quando gravaram o seminal disco "Brazilliance", em Los Angeles. Nesse disco experimental, o violonista brasileiro e o saxofonista de jazz apresentaram uma novidade revolucionária: as improvisações de Shank tocando repertório brasileiro em linguagem jazzística. Em grande forma, Shank adaptou-se inteiramente ao contexto, assentando as bases do que na década seguinte chamariam de jazz-samba, mas no Brasil ficou conhecido por samba-jazz. O impacto daquele disco em nosso meio musical foi extraordinário, abrindo as portas para um estilo até então inimaginável. Curiosamente, na época um conhecido saxofonista brasileiro declarou enfaticamente que era impossível improvisar sobre música brasileira, porém, posteriormente, ele adotou a improvisação jazzística na temática brasileira dos seus discos.
"Brazilliance" foi editado no Brasil pela gravadora Musidisc e conquistou imediatamente uma nova geração de músicos que vieram a ser figuras de relevo na bossa nova e, posteriormente, no samba-jazz.
Outro fator importante precursor do samba-jazz no Brasil foi o revolucionário disco "Turma da Gafieira", com Altamiro Carrilho (flauta), Zé Bodega e Maestro Cipó (saxes-tenor), Raul de Souza (trombone), Sivuca (acordeão), Baden Powell (violão), José Marinho (baixo) e Edison Machado (bateria). Além das improvisações nos solos, a atuação de Edison Machado incorporou uma inovação que causou surpresa, desagrado e controvérsia entre os renitentes cultores do samba: ele utilizou os pratos da bateria em seus estimulantes acompanhamentos, algo totalmente inédito e inconcebível para os músicos da época.
Mas, o que é improvisação jazzística? Para um músico, improvisar significa criar novas melodias sobre a estrutura harmônica de uma composição ao sabor da sua imaginação. Em outras palavras, ter total liberdade para expressar sua própria concepção explorando suas idéias melódicas num clima prevalecendo a espontaneidade e a originalidade, injetando variações de coloridos tonais, nuances rítmicas e inflexões. Por isso o jazz é a música do indivíduo e a improvisação é um elemento essencial da sua linguagem.
Para avaliar esses elementos inseridos pelos solistas, é suficiente comparar as inúmeras gravações das mesmas músicas por diversos músicos, constatando que todas diferem das demais porque cada músico improvisa à sua própria maneira.
A prova que a maioria dos instrumentistas brasileiros foi influenciada pelo jazz era evidenciada nas jam sessions que se realizavam no Rio de Janeiro nos anos 50 e 60. Essas sessões informais aconteceram nos auditórios da Associação Brasileira de Imprensa, Associação Cristã de Moços, Clube Mackenzie, Fluminense Futebol Clube e Associação Atlética Banco do Brasil, entre outros locais, atraindo numeroso público. Entre seus habituais participantes contavam-se Julio Barbosa, Clélio Ribeiro, Santos e Wagner Naegele (trompetes), Paulo Moura, Jorginho, Zé Bodega, Moacir Santos, Maestro Cipó, Aurino Ferreira, Moacir Silva e Hélio Marinho (saxofones), K-Ximbinho (clarinete), Nelson dos Santos, Norato, Astor, Macaxeira e Duba (trombones), Dinarte Rodrigues e Bola Sete (guitarra), Hugo Lima, Chaim Lewak e Fats Elpidio (piano), Vidal, Luiz Marinho e José Marinho (baixo), Anestaldo, Paulinho Magalhães e Sutti, (bateria).
Nos anos 50, o radialista Paulo Santos promoveu dois concertos de jazz no teatro Muncipal do Rio de Janeiro, com amplo sucesso.
A partir de 1958, a bossa nova conquistou imediatamente a juventude brasileira ocasionando uma radical transformação melódico-harmônico-rítmica na nossa música popular, inaugurando o período moderno da MPB.
Dois acontecimentos importantes ocorridos em 1961 deram um impulso extraordinário à música brasileira moderna quando tocaram no Brasil os conjuntos American Jazz Festival e o quinteto do trompetista Dizzy Gillespie. Seus músicos ficaram encantados ao ouvirem bossa nova pela primeira vez, cuja existência desconheciam. Ao regressarem, Dizzy Gillespie, o trombonista Curtis Fuller, os saxofonistas Coleman Hawkins e Zoot Sims, o flautista Herbie Mann e o pianista Lalo Schifrin gravaram discos com temas de bossa nova. Em março de 1962, o saxofonista Stan Getz gravou o disco "Jazz Samba" com o quarteto do guitarrista Charlie Byrd; seu sucesso imediato e estrondoso traduziu-se na venda de 1 milhão e 600 mil cópias na primeira semana. .
Motivado pelo sucesso fulminante da nova música brasileira, em novembro de 1962, Sidney Frey, presidente da gravadora Áudio Fidelity, organizou um concerto de bossa nova no Carnegie Hall, o templo da música americana, em Nova Iorque. Vários músicos, cantores e conjuntos brasileiros apresentaram-se no evento, aumentando o interesse dos americanos pela bossa nova. O concerto foi gravado pela Áudio Fidelity no disco "Bossa Nova at Carnegie Hall".
As emissoras de rádio americanas tocavam discos de bossa nova sem parar. Foi a abertura não oficial de um mercado internacional de trabalho para nossos músicos e cantores.
Paralelamente, músicos e cantores americanos gravaram uma enxurrada de discos de bossa nova, vários com participações de artistas brasileiras, incluindo Sérgio Mendes, Tião Neto, Hélcio Milito e Chico Batera.
Enquanto isso, as noites no lendário Beco das Garrafas, em Copacabana, atraíam platéias de jovens ávidos em ouvir a nova música. Os quatro clubes daquele logradouro (Little Club, Bottle's, Bacará e Ma Griffe) lotavam todas as noites. Nesse particular, o Beco das Garrafas foi a versão nacional da Rua 52, em Nova Iorque, que nos anos 40 foi o pólo efervescente onde tocavam os grandes jazzmen da época. Todas as noites acontecia algo novo no Beco, fosse uma nova composição, um arranjo mais elaborado, o aparecimento de um músico ou cantor de talento, e o ambiente fervilhava até alta madrugada. Apresentaram-se nos clubes do Beco, entre inúmeros outros, Sérgio Mendes, Dom Salvador, Luiz Eça, Raul de Souza, J. T. Meirelles, Agostinho dos Santos, Baden Powell, Mauricio Einhorn, Milton Banana, Claudette Soares, Alaíde Costa, Marisa Gata Mansa, Leny Andrade (com 17 anos, sendo menor de idade era acompanha pelo pai), Pery Ribeiro, Julio Barbosa, Maestro Cipó, Hugo Marotta, Silvio Cesar, Orlann Divo, Tenório Junior, Jorginho Ferreira da Silva, Edson Maciel, João Luiz Maciel, Durval Ferreira, Dom Um Romão, Chico Batera, Victor Manga, Tião Neto, Rosinha de Valença, Manuel Gusmão, Luiz Carlos Vinhas, Hélcio Milito, Bebeto Castilho, Sylvinha Telles, Dóris Monteiro, Wanda Sá, Tito Madi, Sergio Ricardo, Candinho, Mario Castro Neves, Osmar Milito, Aurino Ferreira, Sérgio Barrozo, Roberto Menescal, Alberto Castilho, Ronaldo Vilela, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Toninho Oliveira, Sérgio Augusto, Marcos Valle, Lúcio Alves, Antonio Adolfo, Chico Feitosa, Mario Telles, Moacir Marques, Juarez Araújo e Odette Lara.
Nesse período surgiram os trios de piano-baixo-bateria que fariam história tocando temas brasileiros com improvisação jazzística, o que germinou e cristalizou definitivamente o samba-jazz. Entre dezenas deles, despontaram Tamba Trio (LPs "Tamba Trio", "Avanço" e "Tempo"), Sambalanço Trio (LP "Sambalanço Trio"), Milton Banana Trio (LPs "Samba é isso - vol. 4", "Balançando" e "Vê"), Salvador Trio (LPs "Salvador Trio" e "Rio 65 Trio"), Tenório Junior Trio (LP "Embalo"), Bossa Três (LP "Bossa Três em Forma"), Jorge Autuori Trio (LPs "Vols. 1 & 2"), Primo Trio (LP "Sambossa"), além do Embalo Trio, Bossa Jazz Trio e Trio 3-D.
Outras formações que brilharam no Beco foram o sexteto Sérgio Mendes & Bossa Rio (LP "Você Ainda não Ouviu Nada!"), Meirelles e Os Copa Cinco (LPs "O Som" e "O Novo Som"), os conjuntos de Raul de Souza (LPs "Impacto" e "À Vontade Mesmo"), Baden Powell (LPs "À Vontade" e "Tempo Feliz", com Maurício Einhorn), Edison Machado (LP "Edison Machado é Samba Novo"), Paulo Moura (LPs "Quarteto" e Hepteto"), Luiz Henrique (LP "A Bossa Moderna de Luiz Henrique"), Julinho Barbosa (LP "100% Bossa"), Luiz Carlos Vinhas (LP "Novas Estruturas"), Moacir Marques (LP "Jazz e Bossa Nova"), Os Catedráticos (LP "Ataque"), Fats Elpidio (LP "Piano Bossa Nova"), Sete de Ouros (LP "Impacto"), Victor Assis Brasil (LP "Desenhos"), Waltel Branco (LP "Mancini Também É Samba), Nelson dos Santos (LP "Brasil Bossa Nova").
Na mesma época surgiram em São Paulo dezenas de músicos e conjuntos que aderiram ao samba-jazz, entre os quais Zimbo Trio, com Amilton Godoy, Luiz Chaves e Rubens Barsotti (LPs "Zimbo", "Zimbo convida Sonny Stitt" e "Caminhos Cruzados"), Breno Sauer (LP "4 na Bossa"), Luiz Loy Quinteto, Conjunto Som 4, Jongo Trio (LP "Jongo Trio"), Quarteto Novo, Manfred Fest Trio (LPs "Bossa Nova, Nova bossa", "Evolução" e "Alma Brasileira"), Pedrinho Mattar Quarteto, Guilherme Vergueiro (LPs "Naturalmente" e "Live in Copenhagen"), Erlon Chaves (LP "Sabadabada"), Sambrasa Trio, Som 3, Os Cinco-Pados, Sansa Trio, Octeto de Cesar Camargo Mariano, Casé (LP "Samba Irresistível"), Luiz Chaves (LP "Projecão"), Paulinho Nogueira, André Geraissati (fundador do emblemático Grupo D"Alma) e muitos mais.
Abrindo um parêntesis, no final dos anos 50, antes de afirmação da bossa nova, dois músicos brasileiros foram para os Estados Unidos em busca de novas oportunidades: o guitarrista e violonista Bola Sete e o pianista e compositor João Donato, sendo bem-sucedidos. Bola Sete tocou com Dizzy Gillespie e Vince Guaraldi.além de gravar vários discos; Donato atuou com Mongo Santamaría, Bud Shank, Tito Puente, Astrud Gilberto e outros.
Durante suas férias no Rio de Janeiro, em 1963, Donato gravou dois dos melhores discos da sua carreira: "Muito à Vontade" e "A Bossa Muito Moderna de Donato". Regressando ao Brasil em 1973, retomou sua carreira, mas depois sofreu uma paralisação; a partir dos anos 80 trabalhou intensamente e continua até hoje apresentando-se em inúmeros países do mundo, incluindo Estados Unidos, Europa e Japão, onde granjeou um grande público cativo, além de gravar abundantemente.
Com o sucesso do rock & roll em todo o mundo nos anos 60, a bossa nova e o samba-jazz deixaram de ser a música da juventude brasileira porque ganhava força e popularidade a Jovem Guarda, invadindo como um tsunami os meios de comunicação do pais. Foi quando Mauricio Einhorn declarou sua famosa frase: "A saída para o músico brasileiro é o Aeroporto do Galeão", que alguns mal-informados atribuem a Tom Jobim. Muitos deixaram o país em busca de outras paragens para tentar a sorte. Alguns foram bem-sucedidos, outros nem tanto. Daqui partiram Sergio Mendes, Dom Salvador, Oscar Castro Neves, Eumir Deodato, Manfredo Fest, Luiz Bonfá, Guilherme Vergueiro, Edison Machado, Julio Barbosa, Raul de Souza, J. T. Meirelles, Hélcio Milito, Rosinha de Valença, Wanda Sá, Luiz Henrique, Fernando Martins, Cláudio Queiroz (Cacau), Romero Lubambo, Nilson Matta, Hélio Alves, Duduka da Fonseca, Portinho, Mario Castro Neves, Raul Mascarenhas, Claudio Roditi, Marcos Resende, Alfredo Cardim, Paulo Braga, Ion Muniz, Edson Lobo, Tita, Rodrigo Botter Maio, Hélio Celso, Haroldo Mauro Junior, Irio de Paula, Nenê, Flavio Goulart, Cleber Alves, Nico Assumpção, Tania Maria e outros. Vale ressaltar que vários desses músicos tocam com freqüência em festivais de jazz europeus e americanos.
Enquanto no Brasil a bossa nova e o samba-jazz estavam em recesso forçado devido às preferências do público roqueiro, em outros países continuavam sendo apreciados e cultuados, valorizando nossos artistas, que ganharam novos mercados internacionais solidificando suas carreiras.
Essa valorização no exterior, inclusive com a edição de centenas de discos de bossa nova e samba-jazz nos Estados Unidos, Europa e, principalmente, Japão, ocasionou uma reviravolta no Brasil com o retorno do samba-jazz no repertório dos músicos mais jovens.
Deve-se mencionar que a realização dos dois Festivais de Jazz de São Paulo, em 1978 e 1980, Rio Jazz Monterey Festival, no Rio de Janeiro, em 1980, despertaram o interesse de milhares de pessoas, que passaram a dar maior atenção à nossa música instrumental. Em decorrência desses três eventos, que movimentaram as duas maiores cidades do país, as novas gerações de músicos surgidas a partir dos anos 80/90 trouxeram uma injeção de sangue novo ao samba-jazz.
Entre os que firmaram-se citamos os pianistas Hamleto Stamato, Kiko Continentino, David Feldman, Marcio Hallack, Itamar Assiere, André Dequech, Jota Moraes, Delia Fischer, Silvia Góes, Rique Pantoja, Rafael Vernet, Adriano Souza e André Mehmari, baixistas Paulo Russo, Dôdo Ferreira, Célio de Barros, Augusto Mattoso, Rodolfo Stroeter, Arismar do Espírito Santo, Sizão Machado, Zeca Assumpção, Kiko Mire, Dudu Lima, Adriano Giffoni, Zé Luiz Maia e Enéias Xavier; bateristas Rafael Barata, Duda Neves, Esdras "Nenem" Ferreira, André "Limão" Queiroz, Carlos Bala, Lincoln Cheib, Erivelton Silva, João Cortez, Ivan Conti, Edu Ribeiro, Edvaldo Ilzo e Magno Bissoli; guitarristas Magno Alexandre, Felipe Poli; Hélio Delmiro, Lula Galvão, Cláudio Guimarães, Juarez Moreira, Geraldo Vianna, Tabajara Melo, Weber Lopes e Gilvan de Oliveira; trompetistas Daniel D'Alcantara, Paulinho Trompete, Altair Martins, Nilton Rodrigues e Jessé Sadoc, saxofonistas Nailor Proveta, Teco Cardoso, Marcelo Martins, Eduardo Neves, Zé Canuto, Daniel Garcia, Chico Amaral, Fernando Trocado, Widor Santiago, Cacá Malaquias, Cleber Alves e Vinicius Dorin; trombonistas Vittor Santos, Bocato, Valdivia Ayres e Roberto Marques..A lista é virtualmente interminável.
O samba-jazz chegou para ficar conquistando uma relevante posição na música brasileira. Apesar de combatido pelos renitentes xenófobos de plantão, que desdenhosamente insistem em afirmar tratar-se de música americana, continua conquistando novos talentos e adeptos no Brasil e em vários países do mundo.
A despeito desses handicaps, o samba-jazz resiste bravamente, nossos músicos prosseguem espargindo sua música em concertos, casas noturnas, bares, quiosques, espaços oficiais e alternativos, com boa afluência de público, além de continuar sendo grande atração no Japão, onde tem público cativo, nos festivais europeus e americanos.